Michael Jackson

Infelizmente esse texto não é meu, porém achei o máximo:

Ei, você se lembra de alguém que morreu e, apenas por ser famoso, fez o mundo parar? Não, meu amigo, Ayrton Senna não fez o mundo parar e se lamentar. Aqui, sem dúvida fez, e em parte da Europa também. Só que nos EUA, transeuntes passavam em frente às tevês, assistiam a um acidente que parecia muito feio, e tornavam a caminhar pelas calçadas.
Quem sabe Jackie Kennedy? Não. Só gente fina ou razoavelmente bem informada lamentou a passagem da distinta dama que viuvou de JFK. E na música. Kurt Cobain? Muitos moleques tiveram um dia negro sem dúvida. James Brown? Quem é do ramo lamentou, mas continuou sua vida. Marvin Gaye? Idem.
Agora, Michael Jackson é outro nível. Uma superestrela contestada, polêmica, mas uma superestrela, conhecida por quase todo mundo em todo o Planeta. Quem nunca havia ouvido falar desse senhor cinquentão com idade mental um tanto indefinida era de Plutão, ou Vênus. Até é bom puxar esse assunto: seu melhor momento no cinema é uma ponta como extraterrestre em Homens de Preto. Detalhe é que ele não se fantasiou de extraterrestre, ele vestiu suas roupas do dia-a-dia. E ninguém estranhou.
Quase todos os projetos que concebeu, ou nos quais participou fora dos estúdios, da MTV ou de gravadoras, foram fiascos ininteligíveis. Queimou a cabeleira ao filmar um comercial da Pepsi. Dançava o moonwalking, no qual parecia que ia para a frente, mas ia mesmo era para trás. Jackson tinha um parque no quintal, o Neverland, onde também criava lhamas. Não se sabe como, era black e virou white.
Além dele, só Elvis e Lennon passaram dessa para melhor criando tamanha comoção. Dylan, quando bater suas surradas botinas, vai ter viúvas específicas e em determinados países. Assim como Bruce Springsteen, assim como Neil Young. Vamos ter as comoções regionais, como no dia – que acho, vai demorar – em que perderemos Roberto Carlos. Dois nomes hoje podem concorrer com Jackson no “necromercado”, apenas dois: Paul McCartney e Madonna. Prince deveria estar lá, mas perdeu o bonde da história a partir dos anos 1990.
Podem me perguntar: e aí, não vai falar bem da música de Michael Jackson? Claro que vou. Ele pessoalmente não era um cara talentoso, no sentido Stevie Wonder do termo. Mas sempre teve as pessoas certas em volta dele – até mesmo o patriarca Jackson.
Ele aprendeu as coisas que devia aprender quando criança, com as pessoas que sabiam das coisas, e o grupo que formou com seus irmãos gravou alguns clássicos, como I Want You Back e ABC. Depois, já decolando da gravadora Motown para pousar na Columbia, The Jacksons deixaram claro que tinham uma considerável contribuição ao que se tornou a disco music.
Mas a tacada de mestre foi juntar-se ao produtor Quincy Jones e ao compositor Rod Temperton. Off the Wall é na minha cabeça o disco pop por excelência. E aí chegamos a Thriller, o pop-rock chegando às estrelas – singrando o cosmo, como diria o Surfista Prateado. Na capa, o terno de Jackson é branco e brilhante, e ele parece estar deliciado em apresentar aquelas nove músicas que formam o conjunto financeiramente mais bem sucedido da história da música prensada em discos. Isso era 1983. Quatro anos depois, voltou com Bad, onde ainda é grandioso, mas já emite os sinais da desordem psíquica e da megalomania que dominaria a sua vida a partir dos 1990.
Eu admiro Michael Jackson. Com todos os horrores e excentricidades, ele ainda é adorado. Vai ser lembrando e reverenciado quase como um santo. Não esperem pelo derradeiros suspiros de Madonna e Paul – agora, com Michael, é a hora de entender, sentir o que é essa palavra tão usada, e com tanta inexatidão: a superestrela.

Renê Mülle

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